Cláudia Semedo Lamenta: “Recusei três projetos e fiquei com um rótulo”

A atriz Cláudia Semedo, de 42 anos, assume-se tal como é. Mulher de causas, sem medo de dizer o que pensa e de lutar pelo que acredita.

De regresso às novelas, Cláudia Semedo está feliz numa história passada em África, mas sabe que não ser loira e com 1,80 m a torna “sem perfil” para muitos papéis. Nada que a tenha traumatizado, que ela é uma mulher bem resolvida.

Não fazias novela, tirando pequenas participações, há dez anos. Foi por escolha própria ou porque não surgiram convites?

Começou por ser uma escolha própria, porque a novela exige uma disponibilidade, um tempo e um tipo de trabalho que, na altura, não me apetecia fazer, porque sentia-me muito esmagada por esse ritmo. E gosto muito de um trabalho em que consigo prever a personagem, acompanhá-la e não ter grandes surpresas, coisa que, como sabes, muitas vezes, não é possível, porque as histórias dão grandes pulos.

Os teus filhos também eram muito pequenos.

Muito. O André ainda nem era nascido, a Alice era muito pequenina. Portanto, foi mesmo uma escolha. Eu queria ser mais senhora do meu tempo. Na altura, recusei dois ou três projetos e fiquei com um rótulo de “Ah, ela não quer fazer, não lhe apetece” [pausa]. Eu fui tendo sempre uma vida muito preenchida no teatro e com as apresentações também. Essa também é uma confusão muito grande que as pessoas fazem em relação a mim.

Que só fazes coisas culturais e ambientais.

Sim, por exemplo. Eu acabei por tirar jornalismo, mas a minha primeira formação foi em teatro e sempre me vi como atriz. Quando tirei jornalismo, não queria ser jornalista. Tirei porque queria estudar e aquele curso pareceu-me muito abrangente e ótimo para o que eu procurava na altura.

Mas as pessoas gostam muito de rotular…

É uma visão muito redutora do que é o próprio ser humano. Estou aqui para experimentar e viver ao máximo, mas fico triste que essa vontade de querer fazer outras coisas seja estranha.

Leia a entrevista completa na revista NOVA GENTE desta semana, que já está nas bancas!

Texto: Nuno Azinheira; Fotos: Tito Calado 
Agradecimentos: Fundação Gulbenkian – Lisboa

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