Contestatários de abate de jacarandás em Lisboa registam intransigência para alteração de planos

Um grupo de peticionários contra o abate de jacarandás na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, disse hoje que “não houve qualquer abertura” da câmara municipal e do promotor do projeto urbanístico de Entrecampos para alterar os planos previstos.

Contestatários de abate de jacarandás em Lisboa registam intransigência para alteração de planos

“Houve uma total afirmação da irreversibilidade deste contrato. A câmara disse que, no entanto, tentou mitigar ao máximo as externalidades deste projeto, nomeadamente a remoção das árvores, e é um facto que a certo ponto estava previsto remover-se todas as árvores e agora remover-se-ão menos. No entanto, face ao que está previsto agora, com esta remoção de 47 árvores, não houve qualquer abertura para alterar esses planos”, afirmou Pedro Franco, um dos porta-vozes da petição contra o abate.

Um grupo de peticionários, incluindo Pedro Franco, tiveram hoje uma reunião com a vereadora do Urbanismo, Joana Almeida (independente eleita pela coligação “Novos Tempos” PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), com a presença do promotor do projeto urbanístico de Entrecampos, a Fidelidade Property.

A petição “Não ao abate dos jacarandás da Av. 5 de Outubro”, criada na sexta-feira, 21 de março — Dia da Árvore, reúne hoje mais de 50.000 assinaturas.

A este propósito, foi agendada para domingo, às 15:00, no troço da Avenida 5 de Outubro compreendido entre a Rua da Cruz Vermelha e a Avenida das Forças Armadas, “uma reunião de vizinhos”, aberta a todos os cidadãos, para “mostrar o descontentamento” com o abate de jacarandás.

“Vai ser uma tarde muito bem passada entre amigos e vizinhos. Convidamos todas as pessoas que desejem este momento de criação de comunidade, simplesmente para usufruir o espaço público, que é nosso. Talvez assim a câmara municipal entenda que estes jacarandás são importantes para nós, que não queremos mais carros na cidade”, afirmou Pedro Franco.

A Câmara de Lisboa iniciou hoje os trabalhos de transplante de 20 jacarandás na Avenida 5 de Outubro, onde se prevê também o abate de 25 destas árvores, no âmbito da construção de um parque de estacionamento subterrâneo.

Fonte do gabinete do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), disse à Lusa que “o que está a ser feito são trabalhos preparatórios e não, em concreto, a retirada de qualquer árvore”.

Em declarações à agência Lusa, após a reunião com a câmara e o promotor do projeto, Pedro Franco disse que a primeira questão levantada foi sobre o antecipar dos trabalhos de transplante de jacarandás.

“Foi justificada esta antecipação relativamente às sessões públicas de esclarecimento com a própria característica das árvores, que para o transplante ter sucesso terá de ser feito o quanto antes, na época em que estamos, antes que comecem a florir”, indicou, lamentando que essa decisão não tenha sido discutida previamente com os cidadãos.

Este porta-voz da petição adiantou que, no âmbito desta reunião, foi confirmado pela câmara municipal que “a remoção destas árvores não tem a ver propriamente com o seu estado, mas com o projeto de construção do parque de estacionamento”.

Neste eixo da Avenida 5 de Outubro, no centro de Lisboa, segundo informação da câmara, há 75 jacarandás, dos quais 30 serão mantidos, 20 serão transplantados (a que se juntarão dois plátanos) e os restantes 25 serão abatidos. Simultaneamente, serão replantados 39 jacarandás, a que se juntarão 49 outras árvores.

Os peticionários questionaram também sobre o projeto de construção de um parque de estacionamento subterrâneo, que justifica a remoção destas árvores, incluindo o porquê de não ser feito apenas no subsolo do recinto da antiga Feira Popular, mas, de acordo com Pedro Franco, a resposta “recorrente” foi de que se trata de “um contrato complexo, em hasta pública”, e haveria “um sobressalto com a concorrência” se fossem feitas agora alterações.

“A câmara municipal deveria representar os cidadãos e os cidadãos não se reveem neste contrato que, no fundo, traz ao centro da cidade mais carros, e isso é inequívoco. Estamos a falar de mais de 1.000 lugares de estacionamento, e acaba por remover árvores crescidas em detrimento de novos plantios que, como sabemos, não têm o mesmo valor de ecossistema”, defendeu.

Os peticionários enviaram hoje uma carta aberta à Fidelidade Property, em que apelam, por exemplo, a “um novo desenho para a rampa de acesso ao estacionamento subterrâneo na Av. 5 de Outubro que não implique a remoção de arvoredo nem a diminuição do espaço público disponível”.

Aguardando ainda uma resposta da Fidelidade Property, Pedro Franco destacou a providência cautelar apresentada pelo PAN para suspender o transplante de jacarandás, esperando que dê tempo para “pressionar mais” os promotores a alterarem o que foi contratualizado.

SSM // JLG

By Impala News / Lusa

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