Moçambique vai usar drones para prevenir e acompanhar eventos climáticos extremos

As autoridades moçambicanas vão utilizar drones para prevenir e monitorizar eventos climáticos extremos no país, conforme plano de gestão lançado hoje pelo Governo.

Moçambique vai usar drones para prevenir e acompanhar eventos climáticos extremos

“O projeto marca um passo importante na transformação da forma como o nosso país enfrenta os desafios impostos pelos eventos extremos, de origem hidrometeorológica, que têm causado grandes danos à nossa população e infraestruturas”, disse o ministro das Telecomunicações e Transformação Digital de Moçambique, Américo Muchanga, durante o lançamento, em Maputo, deste plano, que conta com financiamento do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

Através deste projeto serão fornecidos quatro drones ao país, produzidos pela Coreia do Sul, entre os quais consta um drone de treino, utilizado para o mapeamento, monitorização e investigação de extensas áreas.

Segundo o dirigente, a utilização desta tecnologia, para a previsão e gestão dos desastres naturais que têm assolado o país, facilitará na obtenção de dados precisos e em tempo real das áreas afetadas, “preservando assim vidas humanas”.

“O uso de drones como ferramentas para a monitoria e mapeamento das áreas afetadas (…) é uma solução inovadora que promete transformar a forma como lidamos com estes desastres”, explicou.

Américo Muchanga avançou que o plano inclui ainda o treino de técnicos das áreas de gestão de desastres e clima de Moçambique, para o manuseio destes aparelhos.

Akposso Marcelle, do BAD, explicou que, muito além do avanço tecnológico, este projeto representa um “compromisso claro” com a segurança das populações: “Mais do que a entrada de tecnologias, [o projeto visa] fundamentalmente salvar vidas, reduzir os riscos de desastres e melhorar a capacidade de resposta de Moçambique”.

Akpossa Marcelle acrescentou que o projeto será implementado em seis meses, após a entrega dos drones, em meados de maio.

As autoridades moçambicanas lançaram na terça-feira um plano de assistência humanitária avaliado em 48,9 mil milhões de meticais (709,6 milhões de euros) para apoiar os deslocados internos afetados pelos desastres naturais e pela insegurança armada no país.

O plano “define as ações de resposta à deslocação interna e redução da pobreza em matérias de acesso aos serviços sociais básicos como a educação, saúde, saneamento e abastecimento de água, inclusão e segurança social, bem como proteção e oportunidades económicas”, disse a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, Luísa Meque, durante o lançamento da estratégia denominada “plano de Ação Nacional para Gestão de Deslocados Internos”, em Maputo.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.

Só entre dezembro e março, o país já foi atingido por três ciclones, que, além da destruição de milhares de casas e infraestruturas, provocaram cerca de 175 mortos, no norte e centro do país.

Eventos extremos, como ciclones e tempestades, provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

Por outro lado, desde outubro de 2017 que Cabo Delgado, província do norte rica em gás, enfrenta uma rebelião armada, que provocou milhares de mortos e uma crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas.

Só em 2024, pelo menos 349 pessoas morreram em ataques de grupos extremistas islâmicos na província, um aumento de 36%, segundo dados do Centro de Estudos Estratégicos de África, uma instituição académica do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que analisa conflitos em África.

 

LYCE // MLL

By Impala News / Lusa

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