Administração Trump recorre ao Supremo Tribunal para continuar deportações sumárias

A administração Trump pediu hoje ao Supremo Tribunal permissão para retomar as deportações de migrantes venezuelanos para El Salvador ao abrigo de uma lei de guerra do século XVIII, apelo rejeitado esta semana por um tribunal de recurso.

Administração Trump recorre ao Supremo Tribunal para continuar deportações sumárias

O Presidente norte-americano invocou a Lei dos Inimigos Estrangeiros, pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, para justificar a deportação de centenas de pessoas, muitas das quais venezuelanas que Donald Trump classificou como “força invasora” e pertencentes a um gangue chamado Tren de Aragua.

O Departamento de Justiça argumentou que os tribunais federais não deveriam interferir em negociações diplomáticas delicadas e que os migrantes deveriam apresentar o seu caso num tribunal federal no Texas, onde estão detidos.

A decisão do tribunal de recurso de bloquear mais deportações e ordenar que os aviões cheios de imigrantes venezuelanos regressassem aos Estados Unidos da América (EUA) foi ignorada, o que resultou num confronto crescente entre a Casa Branca (presidência norte-americana) e os juízes federais.

O tribunal rejeitou “os julgamentos do Presidente sobre como proteger a Nação contra organizações terroristas estrangeiras e arriscar efeitos debilitantes para negociações estrangeiras delicadas”, escreveu a procuradora-geral, Sarah Harris, no processo judicial.

A primeira decisão — e as que contrariaram os recursos — surgiu na sequência de uma ação apresentada pela União Americana pelas Liberdades Civis em nome de cinco cidadãos venezuelanos que estavam detidos no Texas.

A administração Trump invocou “privilégio de segredos de Estado” para se recusar a cumprir a ordem do tribunal para suspensão das deportações, decidindo ainda não fornecer qualquer informação adicional.

Além disso, Trump pediu a deposição (“impeachment”) do juiz que tomou a decisão, James E. Boasberg.

Numa rara declaração, o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, disse que “o ‘impeachment’ não é uma resposta apropriada a uma discordância sobre uma decisão judicial”.

A Lei dos Inimigos Estrangeiros permite que não-cidadãos sejam deportados sem a oportunidade de uma audiência perante um juiz de imigração ou um tribunal federal.

Boasberg decidiu que os imigrantes que enfrentam a deportação devem ter a oportunidade de contestar as suas designações como alegados membros de gangues.

Na sua decisão, afirmou que existe “um forte interesse público em impedir a deportação errada de pessoas com base em classificações que não têm o direito de contestar”.

Segundo a organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional, os venezuelanos foram classificados como membros de gangues com base apenas nas suas tatuagens ou na sua ligação com o estado venezuelano de Aragua.

PMC // SCA

By Impala News / Lusa

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