Americanos contra Trump manifestam-se em Lisboa com referências ao 25 de Abril
Algumas centenas de americanos manifestaram-se hoje, em Lisboa, contra a administração Trump, numa iniciativa organizada por ativistas que vivem em Portugal, com inúmeras referências à revolução dos cravos e à liberdade de expressão.

Caryl Hallberg, 73 anos, filiada no Partido Democrata, escolheu Portugal para viver, depois de quatro anos a viajar por vários países da Europa.
“É um sítio especial. Durante um jantar, uns amigos contaram-me a história da Revolução dos Cravos e pensei ‘é aqui que quero viver'”, contou à agência Lusa uma das organizadoras da manifestação.
Afastada do partido, Caryl esteve sempre ligada ao ativismo e filiou-se para apoiar a candidatura do ex-Presidente Barack Obama à Casa Branca.
Acredita que também é possível combater a política de Donald Trump fora do país, juntamente com os americanos que se sentem indignados com a atual deriva norte-americana.
“Sabemos o que é o fascismo e é o que está a acontecer”, afirmou, ao manifestar receios sobre cortes na reforma, que disse já terem afetado alguns americanos a residir em Portugal.
Na opinião de Caryl, Trump está também a “destruir o comércio”, com a aplicação das tarifas, e a provocar uma desvalorização do dólar, que nota de cada vez que vai trocar dólares por euros.
“[Trump] Está a tentar tirar direitos a vários níveis”, acrescentou.
Sob o mote “Hands Off”, vários cartazes foram exibidos para instar a administração do Presidente norte-americano a “tirar as mãos” da Constituição e dos direitos civis americanos. “A lista é tão longa!”, disse a ativista.
Caryl garantiu que os americanos vão continuar a manifestar-se pacificamente: “Seguimos o exemplo português”.
Jaiy Conboy, 72 anos, participou na manifestação com uma guitarra e uma música que criou para a ocasião — “I Will not be Silent” (não ficarei calado).
“Sinto-me ultrajado pelo que [Trump] está a fazer à economia do mundo, por fazer amizade com inimigos como Putin, pela forma como está a ignorar a Constituição”, disse o académico, que trabalhou “quase toda a vida” com universidades portuguesas e é casado com uma portuguesa.
“Está a causar tanto caos! E o caos é o objetivo dele. É tudo sobre poder”, indignou-se.
Sentada ao fundo da estátua de D. José I, na Praça do Comércio, Jail Kent, 73 anos, segurava um cartaz com uma fotografia do empresário Elon Musk, outro dos visados na manifestação, em que se lia: “O meu pai combateu os nazis na Europa, há 80 anos”.
“Na II Guerra Mundial, o meu pai e os meus tios combateram a Alemanha. Eram republicanos, mas não acredito que apoiassem este homem”, disse.
“Estas pessoas são fascistas. É horrível, estão a tirar os nossos direitos”, afirmou a norte-americana da Virginia, ex-jornalista, que vive em Alcobaça.
Segundo a organização, a manifestação reuniu cerca de 700 pessoas, que empunharam cartazes, alguns com cravos, alusivos à revolução e à liberdade de expressão, com recados para os norte-americanos: “Do que a América precisa, Portugal sabe”.
AH // MAG
By Impala News / Lusa
Siga a Impala no Instagram