Chinesa deixa Taiwan antes de ser deportada por apoiar “reunificação” militar
A influenciadora chinesa Liu Zhenya, que nas redes sociais apelou à “reunificação militar” de Taiwan com a China, deixou a ilha e regressou ao continente chinês, horas antes da execução de uma ordem de deportação

Citada pela imprensa taiwanesa, a partir do aeroporto de Songshan, em Taipé, Liu, mais conhecida pelo seu nome de utilizador na rede social Douyin – a versão chinesa do TikTok – “Yaya in Taiwan”, disse que ia deixar Taiwan como uma “pessoa inocente” e que estava confiante de que o seu caso seria resolvido em tribunal.
“Espero que, quando pedir para me juntar à minha família, a Agência Nacional de Imigração (NIA) e o Ministério do Interior revejam o meu caso de acordo com a lei e não me impeçam [de regressar]”, disse Liu, que residia em Taiwan com o marido taiwanês e três filhos menores.
Segundo a agência noticiosa estatal CNA, o cônjuge e os três filhos da influenciadora apresentaram uma petição ao Tribunal Administrativo Superior de Taipé para suspender a ordem de deportação, argumentando que o conteúdo do “Yaya in Taiwan”, que tem quase meio milhão de seguidores no Douyin, não representava qualquer risco para a segurança nacional.
Numa decisão emitida na terça-feira, o tribunal observou que os vídeos de Liu geraram controvérsia significativa e aumentaram a “polarização” da sociedade, ações que poderiam ser vistas como uma “potencial ameaça” à estabilidade social, segundo a CNA.
No dia 11 de março, a Agência Nacional de Imigração de Taiwan revogou a autorização de residência de Liu e proibiu-a de se candidatar a uma nova autorização durante cinco anos, depois de a influenciadora ter publicado uma série de vídeos nas redes sociais a defender a “remoção da soberania” de Taiwan.
“Talvez quando acordarmos amanhã de manhã, a ilha já esteja coberta de bandeiras vermelhas. Só de pensar nisso fico feliz”, disse Liu num dos seus vídeos, comentando os exercícios militares chineses em grande escala realizados nas proximidades da ilha em maio do ano passado.
A lei taiwanesa estabelece que um cidadão chinês “pode ser deportado ou forçado a sair no prazo de dez dias” em circunstâncias que incluem “ser considerado uma ameaça à segurança nacional ou à estabilidade social com base em factos suficientes”.
Antes da partida de Liu, o primeiro-ministro da ilha, Cho Jung-tai, defendeu a legalidade da medida, insistindo que a liberdade de expressão “deve ter limites” e que o governo estava a proteger a “soberania e a dignidade” de Taiwan.
O caso é um novo exemplo do agravamento das relações entre a China e Taiwan, uma ilha governada sob o nome de República da China e que tem as suas próprias Forças Armadas e um sistema político, económico e social diferente do da República Popular da China.
As autoridades de Pequim consideram Taiwan uma “parte inalienável” do território chinês e não excluem o recurso à força para alcançarem a “reunificação” da ilha e do continente.
JPI // APL
By Impala News / Lusa
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