Trump prepara imposição de tarifas sobre importações automóveis
O Presidente norte-americano, Donald Trump, vai anunciar hoje a imposição de tarifas sobre importações de automóveis e peças fabricadas fora do país, com objectivo de fomentar a produção doméstica.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, adiantou aos jornalistas que as tarifas serão detalhadas numa conferência de imprensa do Presidente republicano.
Trump afirmou no passado que as tarifas sobre importações de automóveis seriam uma política marcante da sua presidência, apostando que os fabricantes estrangeiros deslocalizem produção para os Estados Unidos, para manter acesso competitivo ao mercado.
Mas a cadeia logística automóvel é global e os fabricantes de automóveis norte-americanos e estrangeiros com fábricas no país ainda dependem de peças feitas no Canadá, México e outras nações, pelo que os preços dos automóveis podem aumentar e as vendas podem diminuir, até novas fábricas estarem operacionais, refere a agência AP.
Trump prometeu na segunda-feira um anúncio sobre tarifas automóveis para “muito em breve, provavelmente nos próximos dias”.
As tarifas automóveis fazem parte de uma reformulação ampla das trocas comerciais globais por Trump, que planeia impor em 02 de abril o que chama de taxas “recíprocas”, que corresponderiam às cobradas por outras nações a exportadores norte-americanos.
Trump já impôs tarifas de 20% sobre todas as importações da China e de 25% ao México e ao Canadá.
Partes das tarifas sobre o México e o Canadá foram suspensas, incluindo os impostos sobre os automóveis, depois de os fabricantes de automóveis se terem oposto e de Trump conceder-lhes um adiamento de 30 dias, que deverá expirar em abril.
O Presidente também impôs tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio, removendo as isenções dos seus impostos anteriores de 2018 sobre os metais.
Também planeia aplicar tarifas sobre ‘chips’ de computadores, medicamentos, madeira e cobre.
Os seus impostos correm o risco de desencadear uma guerra comercial global mais vasta, com uma escalada de retaliações, prejudicando potencialmente o crescimento económico e aumentando os preços para as famílias e as empresas, uma vez que alguns dos custos dos impostos são transferidos pelos importadores.
Quando a União Europeia retaliou com planos para aplicar uma tarifa de 50% sobre as bebidas espirituosas norte-americanas, Trump respondeu planeando um imposto de 200% sobre as bebidas alcoólicas provenientes da UE.
Trump também tenciona aplicar uma tarifa de 25% aos países que importam petróleo da Venezuela , apesar de os Estados Unidos importarem petróleo deste país.
Os assessores de Trump afirmam que as tarifas sobre o Canadá e o México têm como objetivo impedir a imigração ilegal e o contrabando de droga.
Mas a administração também quer usar as receitas das tarifas para reduzir o défice orçamental.
Na segunda-feira, o Presidente citou como prova de que os direitos aduaneiros trariam de volta os postos de trabalho na indústria os planos do fabricante de automóveis sul-coreano Hyundai para construir uma fábrica de aço no Louisiana, no valor de 5,8 mil milhões de dólares (5,4 mil milhões de euros).
No ano passado, os Estados Unidos importaram cerca de 8 milhões de automóveis e camiões ligeiros no valor de 244 mil milhões de dólares (227 mil milhões de euros).
O México, o Japão e a Coreia do Sul foram as principais origens de veículos estrangeiros.
As importações de peças para automóveis ascenderam a mais de 197 mil milhões de dólares (183 mil milhões de euros), lideradas pelo México, Canadá e China, de acordo com o Departamento do Comércio, citado pela AP.
Em resposta ao anúncio de hoje, as ações de fabricantes automóveis norte-americanos foram penalizadas em bolsa, à exceção da Ford.
As acções da General Motors caíam cerca de 2,8% e as da Stellantis, proprietária da Jeep e da Chrysler, recuaram 3,2%.
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By Impala News / Lusa
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