UE e Ásia Central comprometem-se a reforçar parcerias económicas e comerciais
Os líderes da União Europeia e dos países da Ásia Central comprometeram-se hoje a reforçar as parcerias económicas e comerciais, numa altura de anúncios de resposta às tarifas protecionistas por parte dos Estados Unidos.

“O reforço das relações comerciais e de investimento entre a Ásia Central e a União Europeia é essencial para o crescimento económico, bem como para o desenvolvimento e a diversificação do comércio regional e inter-regional”, refere a declaração conjunta divulgada no final da primeira cimeira UE e Ásia Central.
A cimeira, que hoje termina em Samarcanda, no Uzbequistão, foi a primeira reunião de alto nível entre a UE e os líderes dos cinco países da Ásia Central (Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão e Uzbequistão), tendo como objetivo demonstrar o interesse geopolítico europeu, intensificar o diálogo bilateral e reforçar a cooperação entre os dois blocos.
Surge após os anúncios do Presidente norte-americano, Donald Trump, de novas tarifas recíprocas, como de 20% à UE e de 25% sobre todas as importações de aço, alumínio e automóveis.
“A fim de fazer avançar esta agenda, comprometemo-nos a organizar regularmente eventos económicos, incluindo o Fórum Económico Ásia Central-União Europeia, para promover o diálogo estratégico e parcerias económicas sustentáveis”, pode também ler-se na declaração final da cimeira realizada no Uzbequistão.
De acordo com o mesmo texto, “esta cooperação deverá estar em consonância com a […] a estratégia de investimento externo da UE, que será alargada nos próximos anos para libertar ainda mais o potencial das relações entre estas regiões”.
Hoje, a presidente da Comissão Europeia anunciou um pacote de investimentos de 12 mil milhões de euros da UE para a Ásia Central, falando no “início de uma nova era na antiga amizade” entre os blocos.
Falando em Samarcanda, no Uzbequistão, na sessão plenária da primeira Cimeira UE-Ásia Central, a líder do executivo comunitário apontou que “este pacote reunirá investimentos da União e dos Estados-membros” através do projeto Equipa Europa, que lançará novos projetos para a região.
Von der Leyen divulgou também uma nova parceria estratégia com a Ásia Central para o reforço “de novas amizades e redes comerciais”.
Ainda hoje foi assinada uma nova Declaração Conjunta de Intenções sobre Matérias-Primas Críticas, quando a região possui 40% das reservas mundiais de manganês, bem como de lítio, grafite, entre outros.
Além disso, decidiu-se avançar com um moderno corredor de transportes com energia limpa e conectividade digital que evita o território russo, a resposta europeia à Rota da Seda proposta pela China.
Os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, estiveram desde quinta-feira e até hoje a representar a UE nesta primeira cimeira com a Ásia Central para reforçar a cooperação face às atuais tensões geopolíticas.
Também hoje, António Costa descreveu a UE como um “parceiro fiável e virado para o futuro para a Ásia Central”.
A UE é o segundo parceiro comercial da Ásia Central, bem como o seu maior investidor uma vez que mais de 40% do investimento na região provém do espaço europeu.
Em termos bilaterais, a UE negociou acordos de parceria e cooperação com todos os países da Ásia Central, exceto com o Turquemenistão.
ANE // APN
By Impala News / Lusa
Siga a Impala no Instagram